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Candidatos contestam barreira fiscal e cobram convocação de aprovados na Polícia Civil

A urgência dos manifestantes está atrelada ao calendário de vigência da seleção. A validade jurídica do concurso público está programada para se encerrar em outubro de 2026.
Classificados em concurso da Polícia Civil realizam ato em frente à Governadoria
Classificados em concurso da Polícia Civil realizam ato em frente à Governadoria

Resumo da Notícia

  • Candidatos aprovados no concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) realizaram um ato público em Natal.
  • A mobilização cobra do Governo do Estado a nomeação dos profissionais aptos e a convocação para o Curso de Formação Profissional (CFP).
  • A falta de pessoal na PCRN impacta a resolutividade de delitos no estado, com apenas 16% dos crimes reportados avançando para investigação formalizada.
  • O Ministério Público do RN aponta que a corporação opera com apenas 34% do efetivo previsto em lei, com 3 mil vagas em aberto.
  • Candidatos contestam o argumento de entraves fiscais, afirmando que o preenchimento de cargos na segurança pública é resguardado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
  • O movimento aguarda posicionamento formal do Governo do Estado para definir os próximos passos.

Candidatos classificados no último concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) realizaram, na manhã desta terça-feira (7), um ato público em frente à Governadoria do Estado, localizada no Centro Administrativo de Natal. A mobilização cobra medidas urgentes do Governo do Estado para a nomeação dos profissionais já aptos e a convocação imediata dos remanescentes para a realização do Curso de Formação Profissional (CFP), última etapa obrigatória antes do ingresso na instituição.

A falta de pessoal impacta diretamente os índices de resolutividade de delitos no Rio Grande do Norte. De acordo com dados oficiais da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE), vinculada ao Governo do RN, o estado contabilizou 77.140 registros de ocorrência em 2025. Desse total, somente 12.611 inquéritos policiais foram efetivamente instaurados. Na prática, a cada 100 crimes reportados pela população aos órgãos de segurança, apenas cerca de 16 avançaram para uma investigação formalizada.

A carência estrutural atinge os cargos de agente, delegado e escrivão. “Nossa mobilização não é apenas pela nomeação dos aprovados e a convocação de nova turma do CFP. É pelo fortalecimento da Polícia Civil em um momento em que o Rio Grande do Norte vê o crescimento do crime organizado e precisa ampliar sua capacidade de investigação e atendimento à sociedade“, explicou Rafaella Pérsico, classificada para o cargo de escrivão.

Déficit de pessoal opera no limite crítico de vagas

Um Inquérito Civil conduzido pelo Ministério Público do RN (MPRN) detalha que a corporação opera hoje com uma defasagem histórica, dispondo de apenas 34% do total de servidores previsto em lei. Atualmente, o desfalque na segurança atinge a marca de 3 mil vagas em aberto na instituição.

A tabela abaixo detalha o panorama quantitativo dos candidatos que tentam ingressar na instituição por meio do certame regido pelo Edital nº 01/2020-PCRN:

Situação Atual dos Candidatos no CertameQuantidade EstimadaCargos Envolvidos
Prontos para nomeação (concluíram todas as etapas)155 candidatosAgente, Delegado e Escrivão
Aguardando convocação para o Curso de FormaçãoAproximadamente 90 candidatosRemanescentes de todas as categorias

Embora o Executivo Estadual tenha publicado recentemente a nomeação de 150 policiais civis, a medida não expandiu o tamanho da corporação. Os atos administrativos serviram exclusivamente para recompor vacâncias geradas por aposentadorias ou desligamentos recentes.

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Validade do certame e restrições fiscais em debate

A urgência dos manifestantes está atrelada ao calendário de vigência da seleção. A validade jurídica do certame está programada para se encerrar em outubro de 2026. Como o Curso de Formação Profissional exige uma duração média de três meses de instrução teórica e prática, o intervalo de tempo restante impede novos adiamentos sob o risco de inviabilizar o aproveitamento dos habilitados.

Os candidatos contestam o argumento de entraves fiscais para barrar as contratações. Segundo a comissão de classificados, o próprio Estado já formalizou em manifestações técnicas anteriores que o preenchimento e a reposição de cargos na área de segurança pública encontram-se resguardados das vedações da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Os participantes do ato criticam a estratégia governamental de sinalizar a abertura de novos processos seletivos públicos para outras secretarias enquanto há demandas pendentes na segurança. A categoria defende que o aproveitamento dos aprovados atuais deveria receber prioridade fiscal, considerando os custos financeiros e operacionais já investidos pelo erário público nas etapas anteriores.

Nos causa preocupação ver o anúncio de novos concursos enquanto ainda existem centenas de aprovados na Polícia Civil aguardando a conclusão de um certame que continua válido. O aproveitamento desses candidatos deveria ser tratado como prioridade enquanto estratégia para melhorar a segurança do Rio Grande do Norte. A urgência não é apenas dos candidatos, mas da própria segurança pública”, concluiu Thalita Mendonça, classificada para a função de delegada.

O movimento aguarda um posicionamento formal ou agendamento de audiência por parte dos secretários da Governadoria para definir os rumos das manifestações.