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Condenado pela Tragédia do Baldo é preso após mais de 40 anos foragido

A prisão coloca o caso de volta ao centro da memória pública de Natal. Para as famílias das vítimas, o cumprimento do mandado representa uma resposta tardia em uma tragédia que atravessou gerações.
Condenado por uma das maiores tragédias de Natal é preso após 40 anos
Condenado por uma das maiores tragédias de Natal é preso após 40 anos - Crédito: Reprodução

Resumo da Notícia

  • Aluísio Farias Batista, condenado a 21 anos de reclusão pela Tragédia do Baldo, foi preso após mais de 40 anos foragido.
  • A prisão ocorreu no Mato Grosso, em uma ação conjunta da Polícia Civil do Rio Grande do Norte e do Mato Grosso, dentro da Operação Resgate.
  • A Tragédia do Baldo, ocorrida em 1984 durante o carnaval, deixou 19 mortos e 12 feridos após um ônibus descontrolado atingir um bloco carnavalesco.
  • Aluísio Farias Batista fugiu após o acidente e viveu décadas no Mato Grosso, utilizando documentos falsos.
  • A investigação para a captura do foragido envolveu cruzamento de informações, análise documental e comparação facial, utilizando uma foto antiga dele como ponto de partida.
  • O condenado foi levado ao sistema prisional para cumprir a pena em regime fechado.

Mais de quatro décadas depois da Tragédia do Baldo, a Polícia Civil prendeu Aluísio Farias Batista, de 69 anos, condenado a 21 anos de reclusão por crimes ligados ao caso que marcou a história de Natal. O mandado de prisão definitiva foi cumprido nesta sexta-feira (26), no Mato Grosso, em uma ação conjunta da Polícia Civil do Rio Grande do Norte com a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso.

A captura ocorreu dentro da Operação Resgate. Segundo a investigação, Aluísio vivia há décadas no Mato Grosso e foi localizado após um trabalho de cruzamento de informações, análise documental e comparação facial.

A Tragédia do Baldo aconteceu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, durante o carnaval. Na ocasião, o ônibus conduzido por Aluísio perdeu o controle na região do Baldo e atingiu integrantes de uma banda de música e foliões de um bloco carnavalesco que passava pelas ruas da capital.

O impacto deixou 19 pessoas mortas e 12 gravemente feridas. Depois da ocorrência, o motorista fugiu. Desde então, o caso permaneceu como uma das tragédias mais lembradas por moradores de Natal, especialmente por famílias que perderam parentes naquela madrugada.

Ônibus envolvido no acidente
Ônibus envolvido no acidente – Crédito: Arquivo / Jornal

A investigação começou a avançar a partir da única fotografia disponível de Aluísio, feita no ano do crime. Durante as diligências, os policiais descobriram que o pai dele havia morrido em Tangará da Serra (MT), em 2021. Essa informação ajudou na troca de dados entre as equipes policiais dos dois estados.

Na apuração documental, a Polícia Civil identificou que o condenado chegou a emitir um documento de identidade com seus dados verdadeiros no Mato Grosso, em 1995. Depois, segundo os investigadores, ele passou a usar os dados de uma pessoa que morreu em Natal, em 1996.

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O ponto exato em que Aluísio começou a usar a identidade falsa ainda será investigado. A Polícia Civil afirma, no entanto, que em 2021 ele utilizou o RG ligado à pessoa falecida para renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e continuar trabalhando como motorista.

Prisão ocorreu na residência

Aluísio Farias Batista, de 69 anos
Aluísio Farias Batista, de 69 anos – Crédito: Arquivo da época

Após confirmar a identidade, os policiais foram primeiro ao local de trabalho do condenado, mas ele não estava. Em seguida, a equipe seguiu para a residência dele.

No imóvel, Aluísio teria apresentado inicialmente o nome falso. Quando os policiais informaram que já sabiam sua verdadeira identidade, ele admitiu ser Aluísio Farias Batista, segundo a Polícia Civil.

Depois da prisão, ele foi levado para a unidade policial responsável pelos procedimentos e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional. A pena definitiva é de 21 anos de reclusão, em regime fechado.

Denúncias: informações podem ser repassadas anonimamente pelo Disque Denúncia 181, canal indicado pela Ouvidoria da Segurança Pública do RN.