Coronel Hélio mira PT, se diz candidato de Bolsonaro e defende dobradinha com Styvenson

Pré-candidato ao Senado pelo PL afirma que eleição de 2026 deve repetir disputa entre direita e esquerda e se apresenta como nome de Bolsonaro no estado.
Coronel Hélio
Coronel Hélio - Crédito: Youtube/Reprodução

Resumo da Notícia

  • Coronel Hélio (PL) critica o modelo político do PT no RN e no país, afirmando que está esgotado.
  • Pré-candidato ao Senado se posiciona como nome de Bolsonaro e defende uma "dobradinha" com Styvenson Valentim (Podemos).
  • Hélio critica a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e o governo federal em áreas como educação, saúde e segurança.
  • Ele associa a vitória de Paulinho Freire em Natal 2024 a um avanço da direita no estado e no continente.
  • O militar da reserva foca na segurança pública, propondo endurecimento de políticas e criação de base do Ciopaer em Mossoró.
  • Defende a ampliação do sistema prisional e maior integração entre forças de segurança e Forças Armadas.

O pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) afirmou nesta segunda-feira (22) que o modelo político do PT está esgotado no Rio Grande do Norte e no país. Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, o militar da reserva disse que a eleição de 2026 deve ser marcada por uma disputa direta entre direita e esquerda, com reflexos da corrida presidencial nos estados.

O modelo PT aqui no Rio Grande do Norte está falido, o modelo PT nacional também está falido”, declarou.

A fala ocorre em um momento de reorganização das chapas para 2026. No campo governista, o PT tenta consolidar o nome do ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier para o Governo do Estado. Na oposição, os movimentos passam pelo ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e pelo ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União).

Para Hélio, porém, a disputa local tende a seguir a lógica nacional. “A polarização já está acontecendo. Ela vem normalmente de cima para baixo. Nós temos hoje Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, no PT e no PL, e isso está vindo para os estados”, afirmou.

Disputa pelo Senado

Ao falar sobre a eleição para o Senado, Coronel Hélio tentou enquadrar a corrida em dois blocos ideológicos. Ele se colocou no campo conservador e citou o senador Styvenson Valentim (Podemos) como outro nome à direita.

Hoje estamos bem definidos aqui no Estado com dois candidatos à direita, o Coronel Hélio e o Capitão Styvenson (Podemos), contra quatro candidatos da esquerda: Zenaide Maia (PSD), Rafael Motta (PSB), Samanda Alves (PT) e Sandro Pimentel (Psol)”, declarou.

O pré-candidato também reforçou a ligação com o bolsonarismo. Segundo ele, sua indicação tem respaldo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Eu sou o candidato de Bolsonaro. Eu sou o senador de Bolsonaro no Estado”, declarou.

Hélio defendeu ainda uma aliança com Styvenson para a disputa das duas vagas ao Senado. Segundo ele, a “dobradinha” deve ser consolidada depois da convenção do PL. “Essa casadinha é muito bem-vinda na visão do eleitor de centro-direita”, afirmou.

Críticas ao PT no RN e no país

Coronel Hélio direcionou críticas ao governo federal e à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). No plano estadual, disse que o Rio Grande do Norte apresenta problemas em áreas centrais da administração pública.

O Governo do Estado do Rio Grande do Norte apresenta índices muito tristes na educação, na saúde, na segurança e também na infraestrutura”, declarou.

Ele também citou a eleição municipal de Natal em 2024 como exemplo de mudança no cenário político. Para o pré-candidato, a vitória de Paulinho Freire (União) contra Natália Bonavides (PT) indicaria um avanço gradual da direita no estado.

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Eu tenho visto que isso está acontecendo e vai acontecer também a nível nacional”, afirmou.

Hélio associou esse movimento ao crescimento de lideranças conservadoras em países da América do Sul. Na entrevista, citou a eleição de presidentes de direita e mencionou a Colômbia, que teve eleições no domingo (21), para defender que haveria uma “onda da direita” em curso no continente.

Segurança pública como eixo da campanha

A segurança pública foi o ponto mais explorado por Coronel Hélio. O pré-candidato criticou a política federal de enfrentamento às facções criminosas e afirmou que o governo do PT reduziu recursos destinados a operações de fiscalização e repressão nas fronteiras.

O governo do PT bloqueou R$ 4,5 bilhões de investimentos nessas operações”, afirmou.

Ele também criticou declarações atribuídas ao presidente Lula sobre o tráfico de drogas. Para Hélio, o crime organizado busca mais do que dinheiro.

Lula está falando que o traficante só quer dinheiro. Não. O traficante quer poder. O tráfico quer domínio de território”, declarou.

Em outro trecho, o pré-candidato afirmou que facções já estariam interferindo no ambiente político.

O tráfico já tem os candidatos escolhidos. O que está faltando é a direita conservadora escolher os seus candidatos para poder ser representada no Congresso”, disse.

Hélio defendeu o endurecimento das políticas de segurança e a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas. Ele elogiou a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar PCC e Comando Vermelho nessa categoria e rejeitou a ideia de que a medida represente interferência na soberania brasileira.

Nenhuma”, respondeu ao ser questionado se via afronta à soberania nacional.

Propostas para o setor

Entre as propostas apresentadas, Coronel Hélio defendeu a criação de uma base permanente do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) na região Oeste do RN, especialmente em Mossoró.

Segundo ele, a presença do presídio federal e o avanço das facções criminosas justificam uma estrutura fixa de apoio aéreo. A proposta prevê busca de recursos por meio de emendas parlamentares e parcerias com empresas privadas, especialmente do setor de energia eólica.

O pré-candidato também defendeu a ampliação do sistema prisional. Ele afirmou que há cerca de 600 mil condenados sem vagas disponíveis nos presídios do país e sustentou a construção de novas unidades.

Está faltando realmente presídio”, afirmou.

Hélio também propôs maior integração entre forças de segurança estaduais, ampliação do trabalho de inteligência e participação mais ativa das Forças Armadas no enfrentamento ao crime organizado. Para ele, o avanço das facções exige atuação coordenada entre polícias, Exército, Marinha e Aeronáutica, principalmente nas fronteiras e em regiões estratégicas para o tráfico de drogas.