Resumo da Notícia
O pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) afirmou nesta segunda-feira (22) que o modelo político do PT está esgotado no Rio Grande do Norte e no país. Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, o militar da reserva disse que a eleição de 2026 deve ser marcada por uma disputa direta entre direita e esquerda, com reflexos da corrida presidencial nos estados.
“O modelo PT aqui no Rio Grande do Norte está falido, o modelo PT nacional também está falido”, declarou.
A fala ocorre em um momento de reorganização das chapas para 2026. No campo governista, o PT tenta consolidar o nome do ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier para o Governo do Estado. Na oposição, os movimentos passam pelo ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e pelo ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União).
Para Hélio, porém, a disputa local tende a seguir a lógica nacional. “A polarização já está acontecendo. Ela vem normalmente de cima para baixo. Nós temos hoje Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, no PT e no PL, e isso está vindo para os estados”, afirmou.
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Disputa pelo Senado
Ao falar sobre a eleição para o Senado, Coronel Hélio tentou enquadrar a corrida em dois blocos ideológicos. Ele se colocou no campo conservador e citou o senador Styvenson Valentim (Podemos) como outro nome à direita.
“Hoje estamos bem definidos aqui no Estado com dois candidatos à direita, o Coronel Hélio e o Capitão Styvenson (Podemos), contra quatro candidatos da esquerda: Zenaide Maia (PSD), Rafael Motta (PSB), Samanda Alves (PT) e Sandro Pimentel (Psol)”, declarou.
O pré-candidato também reforçou a ligação com o bolsonarismo. Segundo ele, sua indicação tem respaldo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu sou o candidato de Bolsonaro. Eu sou o senador de Bolsonaro no Estado”, declarou.
Hélio defendeu ainda uma aliança com Styvenson para a disputa das duas vagas ao Senado. Segundo ele, a “dobradinha” deve ser consolidada depois da convenção do PL. “Essa casadinha é muito bem-vinda na visão do eleitor de centro-direita”, afirmou.
Críticas ao PT no RN e no país
Coronel Hélio direcionou críticas ao governo federal e à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). No plano estadual, disse que o Rio Grande do Norte apresenta problemas em áreas centrais da administração pública.
“O Governo do Estado do Rio Grande do Norte apresenta índices muito tristes na educação, na saúde, na segurança e também na infraestrutura”, declarou.
Ele também citou a eleição municipal de Natal em 2024 como exemplo de mudança no cenário político. Para o pré-candidato, a vitória de Paulinho Freire (União) contra Natália Bonavides (PT) indicaria um avanço gradual da direita no estado.
“Eu tenho visto que isso está acontecendo e vai acontecer também a nível nacional”, afirmou.
Hélio associou esse movimento ao crescimento de lideranças conservadoras em países da América do Sul. Na entrevista, citou a eleição de presidentes de direita e mencionou a Colômbia, que teve eleições no domingo (21), para defender que haveria uma “onda da direita” em curso no continente.
Segurança pública como eixo da campanha
A segurança pública foi o ponto mais explorado por Coronel Hélio. O pré-candidato criticou a política federal de enfrentamento às facções criminosas e afirmou que o governo do PT reduziu recursos destinados a operações de fiscalização e repressão nas fronteiras.
“O governo do PT bloqueou R$ 4,5 bilhões de investimentos nessas operações”, afirmou.
Ele também criticou declarações atribuídas ao presidente Lula sobre o tráfico de drogas. Para Hélio, o crime organizado busca mais do que dinheiro.
“Lula está falando que o traficante só quer dinheiro. Não. O traficante quer poder. O tráfico quer domínio de território”, declarou.
Em outro trecho, o pré-candidato afirmou que facções já estariam interferindo no ambiente político.
“O tráfico já tem os candidatos escolhidos. O que está faltando é a direita conservadora escolher os seus candidatos para poder ser representada no Congresso”, disse.
Hélio defendeu o endurecimento das políticas de segurança e a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas. Ele elogiou a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar PCC e Comando Vermelho nessa categoria e rejeitou a ideia de que a medida represente interferência na soberania brasileira.
“Nenhuma”, respondeu ao ser questionado se via afronta à soberania nacional.
Propostas para o setor
Entre as propostas apresentadas, Coronel Hélio defendeu a criação de uma base permanente do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) na região Oeste do RN, especialmente em Mossoró.
Segundo ele, a presença do presídio federal e o avanço das facções criminosas justificam uma estrutura fixa de apoio aéreo. A proposta prevê busca de recursos por meio de emendas parlamentares e parcerias com empresas privadas, especialmente do setor de energia eólica.
O pré-candidato também defendeu a ampliação do sistema prisional. Ele afirmou que há cerca de 600 mil condenados sem vagas disponíveis nos presídios do país e sustentou a construção de novas unidades.
“Está faltando realmente presídio”, afirmou.
Hélio também propôs maior integração entre forças de segurança estaduais, ampliação do trabalho de inteligência e participação mais ativa das Forças Armadas no enfrentamento ao crime organizado. Para ele, o avanço das facções exige atuação coordenada entre polícias, Exército, Marinha e Aeronáutica, principalmente nas fronteiras e em regiões estratégicas para o tráfico de drogas.
