Resumo da Notícia
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) deixou claro que sua construção eleitoral passa por Luiz Inácio Lula da Silva, mas tem raiz direta na governadora Fátima Bezerra (PT). Em entrevista ao programa Frente a Frente, da TV Clube RN, veiculada no sábado (20), o ex-secretário estadual da Fazenda afirmou que Fátima é sua principal inspiração política.
A declaração foi dada no bloco final da entrevista, em um formato de perguntas rápidas. Questionado sobre o líder público que mais admira, Cadu poderia ter escolhido Lula, a quem havia exaltado durante a conversa. Preferiu a governadora.
“Não vou negar. Fátima Bezerra. Eu poderia dizer o presidente Lula ou a governadora Fátima, mas Fátima, para mim, é uma grande inspiração”, afirmou Cadu.
A resposta reforça o desenho da pré-campanha petista no estado: Cadu tenta se apresentar como continuidade do campo de Lula, mas sem se afastar do governo Fátima, do qual participou entre 2019 e abril deste ano. Nesse período, foi secretário de Tributação e depois assumiu a Fazenda, posto central na gestão das finanças estaduais.
De auxiliar técnico a nome político
Cadu afirmou que nunca teve como projeto pessoal ser governador. Segundo ele, a entrada na disputa surgiu a partir da experiência acumulada dentro do governo, especialmente durante a pandemia e no trabalho fiscal.
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Ao falar da chegada à equipe de Fátima, disse que aceitar o convite foi uma das decisões de que mais se orgulha na vida pública.
“A decisão de aceitar o convite para participar da reconstrução do Rio Grande do Norte talvez tenha sido uma das decisões que eu tomei na minha vida que eu tenho mais orgulho”, declarou.
O pré-candidato também associou sua ascensão política à confiança recebida da governadora. Disse que “só uma política como Fátima” o colocaria no lugar em que chegou dentro do governo.
A entrevista também serviu para Cadu fazer uma defesa direta da governadora, inclusive diante da rejeição registrada em pesquisas. Ele reconheceu falhas na articulação política e na comunicação do governo, mas sustentou que há entregas em todas as regiões do estado.
A estratégia, segundo ele, será lembrar ao eleitor como o Rio Grande do Norte estava antes da atual gestão e apresentar uma proposta de continuidade com avanços.
Cadu afirmou que o estado era “terra arrasada” antes da chegada do PT ao governo, citando folhas salariais atrasadas, crise na segurança pública e rebeliões no sistema prisional. Disse ainda que a gestão atual reconstruiu áreas importantes, pagou salários em dia e entregou ações em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
“Fátima é uma mulher honesta”
Em outro trecho, Cadu defendeu a integridade da governadora. A fala veio no contexto de uma defesa mais ampla da trajetória política dela.
“Fátima é uma mulher honesta. Você pode discordar da trajetória dela, de decisões dela, mas eu nunca vi ninguém questionar a honestidade de Fátima”, disse.
Ele também afirmou que Fátima enfrenta preconceitos em determinados ambientes por sua origem, por ser mulher, pela simplicidade e por escolhas pessoais. Segundo Cadu, esse incômodo aparece sobretudo entre setores da elite.
“Eu convivo de perto com Fátima e chego em todos os ambientes há sete anos. Você nota o preconceito quando Fátima entra num restaurante, às vezes, quando tem algum evento. Você vê o olhar das pessoas, julgando ela de cima a baixo, pela origem, pela humildade, por ela ser mulher, por ela ter as opções sexuais que ela tem, pela simplicidade (sic)”, afirmou.
A fala aproxima a defesa pessoal de Fátima do argumento político que Cadu tenta construir: a ideia de que a governadora, assim como Lula, representa uma origem popular que chegou ao poder enfrentando resistência de setores tradicionais.
Lula, Fátima e a marca própria
Durante a entrevista, Cadu disse ter orgulho de carregar o nome “Cadu de Lula”. Também afirmou admirar o presidente pela dedicação à militância política, pelos programas sociais e pelo olhar para o Nordeste, com destaque para a transposição do Rio São Francisco.
Mesmo assim, ao ser provocado a escolher uma referência, optou por Fátima. O gesto indica que a pré-campanha deve tentar equilibrar duas forças: a popularidade nacional de Lula entre eleitores petistas e a estrutura local do governo estadual.
Cadu disse que pretende imprimir sua própria marca caso vença a eleição, mas sem negar a participação na atual gestão.
“É óbvio que eu vou dar a minha marca, mas eu não posso aqui deixar de dizer para o seu telespectador do orgulho que eu tenho de ter feito parte do governo da professora Fátima”, afirmou.
Folha de pagamento virou símbolo interno
A relação com Fátima apareceu também em um relato sobre a transição de governo, entre o fim de 2018 e o início de 2019. Cadu contou que, antes da posse, a governadora perguntou se a arrecadação permitiria pagar os salários dentro do mês.
Ao ouvir que sim, segundo ele, Fátima teria estabelecido uma ordem direta.
“Ela levantou e disse, olhando no meu olho: você nunca mais vai deixar a folha do Estado atrasar”, contou.
O episódio foi usado por Cadu para sustentar a tese de que a gestão petista reorganizou o estado a partir do pagamento em dia dos servidores e da reconstrução fiscal.
No encerramento, o pré-candidato respondeu que sua essência é “fazer o bem”. Ao ser perguntado sobre o que espera que as pessoas sintam ao ouvi-lo na campanha, respondeu “verdade”.
A entrevista consolidou o tom que Cadu deve levar para a pré-campanha: defesa do governo Fátima, associação com Lula, tentativa de apresentar continuidade administrativa e esforço para transformar uma trajetória técnica na Fazenda em capital político para disputar o Governo do Estado.
