Câmara de Natal aprova retorno de agentes aos cargos de origem e pressiona Prefeitura por concurso da STTU

O concurso da STTU segue travado mesmo após sete meses da criação da comissão organizadora, oficializada em 15 de agosto de 2025, e continua dependendo da definição da banca organizadora para avançar rumo ao edital previsto para cerca de 120 vagas.
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Crédito: Magnus Nascimento/STTU

Resumo da Notícia

  • Câmara de Natal aprova projeto que autoriza o retorno de agentes de mobilidade urbana aos cargos de origem.
  • Medida pressiona a Prefeitura a apresentar cronograma para concurso público da STTU em até 60 dias.
  • Aprovação responde a uma questão judicial antiga, ligada a uma ação que tramita desde 2009 no TJRN.
  • Servidores atingidos pela medida serão realocados sem prejuízo salarial.
  • Vereador Aldo Clemente ressaltou que a ação judicial já determina a realização de concurso público.
  • Agente de mobilidade urbana Edson Oliveira defende a criação de um quadro suplementar.
  • Concurso da STTU é aguardado há cerca de 20 anos e deve ter 120 vagas.

A Câmara Municipal de Natal aprovou nesta terça-feira (31/03), em caráter de urgência, o Projeto de Lei nº 218/2026, que autoriza o retorno de servidores que estavam lotados como agentes de mobilidade urbana para seus cargos de origem. A medida, enviada pelo chefe do Executivo municipal, mexe diretamente com a estrutura da mobilidade da capital e impõe uma consequência prática imediata: para recompor o quadro da STTU, o município terá de apresentar, em até 60 dias, um cronograma para realização de concurso público.

O texto aprovado não trata apenas de uma reorganização administrativa. Ele também responde a uma questão judicial antiga, ligada a uma ação que tramita desde 2009 no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). De acordo com o comunicado encaminhado junto ao projeto, a Prefeitura do Natal terá prazo de até 10 dias para cumprir a determinação. Os servidores atingidos pela medida serão realocados sem prejuízo salarial, ponto que foi destacado durante a discussão da matéria.

A aprovação ocorre num momento em que a situação do certame da mobilidade urbana já vinha sendo alvo de cobrança. Como o Portal N10 já antecipou, a seleção ainda não saiu da fase preparatória, apesar de a comissão organizadora ter sido oficializada há meses.

Decisão da Câmara acelera pressão por reposição no quadro

Com a retirada desses servidores da função de agente de mobilidade urbana, o município fica ainda mais pressionado a dar uma resposta objetiva sobre a recomposição do efetivo. E foi justamente esse ponto que ganhou força no plenário. O vereador Aldo Clemente (PSDB) ressaltou que a própria ação judicial já traz a determinação de realização de concurso público e reconheceu que a medida aumentará as despesas da administração municipal.

Dentro da ação judicial também há a determinação de realização de concurso público, o que vai gerar mais uma despesa para o município. Por outro lado, isso possibilita que novas pessoas possam contribuir socialmente. Ressaltando que esses servidores atingidos pela decisão judicial não terão seus vencimentos reduzidos, mas o concurso vai acontecer, afirmou o vereador.

A fala resume o núcleo do impasse: de um lado, o impacto financeiro; de outro, a necessidade de recompor uma estrutura considerada estratégica para a mobilidade da cidade. O que antes já era tratado como necessidade administrativa passa agora a ter prazo político mais apertado.

Representante dos servidores defende quadro suplementar

Se a base governista e parte da Câmara trataram a aprovação como uma resposta à decisão judicial, entre os servidores o sentimento foi de que havia outra saída possível. O agente de mobilidade urbana Edson Oliveira, que representa os trabalhadores, afirmou que a melhor solução seria a criação de um quadro suplementar.

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Soubemos dessa urgência ontem. O que nós queríamos, de imediato, é que esse projeto fosse suspenso, porque temos o nosso, que foi orientado pelo juiz do processo. Alguns vereadores estão cientes dele, que é a criação de um quadro suplementar, e que resolveria a nossa situação, declarou.

A fala mostra que, além do aspecto administrativo, o tema ainda carrega disputa sobre o modelo de resolução. De um lado, a realocação para os cargos originais; de outro, a tentativa de preservar a situação funcional por meio de uma estrutura suplementar.

Concurso da STTU continua sem edital mesmo após sete meses

O novo prazo imposto à Prefeitura joga ainda mais luz sobre a lentidão do concurso da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU). A comissão organizadora foi oficializada no Diário Oficial do Município em 15 de agosto de 2025, mas, passados sete meses, o edital segue sem publicação.

Desde o início, a condução do processo ficou sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Administração (Semad), que apontou como etapa decisiva a definição da banca organizadora. Sem isso, o concurso não avança. É a banca que estrutura o edital, define cronograma e conduz as fases da seleção. Sem essa contratação, toda a engrenagem permanece travada.

Na época em que a comissão foi criada, a expectativa era de lançamento do edital entre o fim de 2025 e o início do primeiro semestre de 2026, com possibilidade de publicação até junho. O problema é que o tempo passou e não houve avanço concreto. Agora, com a decisão da Câmara, o concurso deixa de ser apenas uma promessa aguardada e passa a ser uma necessidade institucional ainda mais urgente.

Seleção é aguardada há cerca de 20 anos e deve ter 120 vagas

A pressão em torno do certame não é recente. O concurso para agente de trânsito da STTU é aguardado há cerca de duas décadas, o que ajuda a explicar a atenção em torno de cada movimentação administrativa relacionada ao tema. A proposta inicial é reforçar o quadro funcional e ampliar a capacidade de fiscalização e organização do trânsito da capital.

A previsão é de oferta de cerca de 120 vagas, todas voltadas para o cargo de agente de trânsito. Entre os requisitos já antecipados estão nível superior completo e Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria AB. A exigência faz sentido diante das atribuições do cargo, ligadas ao controle de tráfego, fiscalização e atuação direta nas vias urbanas.

A estrutura prevista para o certame também já foi indicada. A seleção deve incluir provas teóricas, possíveis provas práticas, exames de saúde e avaliação de aptidão física. Trata-se de um formato compatível com concursos da área de trânsito, em que a capacidade operacional do candidato pesa tanto quanto o desempenho intelectual.

No campo da remuneração, o cargo também aparece como atrativo. O salário inicial está estimado em cerca de R$ 6.500,00, podendo chegar a aproximadamente R$ 12.800,00 ao longo da carreira, considerando progressões, gratificações e adicionais previstos na legislação municipal.

A partir da aprovação do projeto, a gestão municipal terá menos espaço para indefinição. O retorno dos servidores aos cargos de origem foi autorizado, o prazo para cumprimento foi fixado e a cobrança por concurso deixou de ser apenas expectativa. Agora, virou compromisso com data para ser apresentado.

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