Greve no transporte intermunicipal do RN terá 30% da frota em circulação

O documento que oficializa a paralisação foi assinado pelo presidente do sindicato, Júnior Rodoviário. A categoria cobra a assinatura da convenção coletiva, considerada pelo sindicato como o registro formal do que foi negociado.
Transporte intermunicipal do RN entra em colapso com ônibus recolhidos às garagens
Transporte intermunicipal do RN - Foto: Reprodução

Os trabalhadores do transporte intermunicipal de passageiros do Rio Grande do Norte entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (11). A paralisação foi oficializada após o Sindicato dos Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro-RN) publicar, nesta terça-feira (9), o edital da greve, respeitando o prazo legal de 72 horas.

Para quem depende dos ônibus entre cidades, o impacto será direto, mas não total. De acordo com o vice-presidente do Sintro-RN, Arnaldo Dias, as linhas afetadas deverão circular com 30% da frota, percentual mínimo previsto para serviços considerados essenciais.

A greve deve atingir linhas que atendem Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, São José de Mipibu, Nísia Floresta e Pirangi, na Grande Natal, além de outras cidades do sistema intermunicipal do RN.

A paralisação, no entanto, não deve afetar as linhas operadas pelas empresas Cidade das Dunas, Via Sul, Santa Maria e Guanabara. Segundo o Sintro-RN, essas quatro companhias garantiram o cumprimento dos pontos negociados com a categoria e, por isso, continuarão funcionando normalmente.

Na prática, isso significa que a greve não terá o mesmo efeito em todo o sistema intermunicipal. O passageiro precisará observar qual empresa opera a linha utilizada diariamente, já que parte do serviço seguirá sem alteração, enquanto outras rotas funcionarão apenas com a frota de emergência.

Por que os rodoviários decidiram entrar em greve?

O impasse envolve a negociação da data-base 2025/2026. No edital, o Sintro-RN informa que a greve foi aprovada em assembleia geral depois que o Setrans e a Fetronor, entidades que representam o setor empresarial, recusaram o dissídio econômico e as cláusulas sociais discutidas com os trabalhadores.

Cobertura relacionadaGoverno inclui trecho Natal–Macau em plano de Ferrovias Inteligentes

O documento que oficializa a paralisação foi assinado pelo presidente do sindicato, Júnior Rodoviário. A categoria cobra a assinatura da convenção coletiva, considerada pelo sindicato como o registro formal do que foi negociado.

Arnaldo Dias afirmou que o vale-alimentação foi agendado pelas empresas para quinta-feira, mas disse que a categoria quer a formalização do acordo completo.

Estamos enviando para eles, para ver se eles vão assinar ou não. É o registro do que foi negociado, que eles estão dificultando assinar”, declarou.

A Fetronor sustenta que o reajuste do vale-alimentação já está sendo pago. A federação empresarial atribui o impasse à dificuldade financeira enfrentada pelo setor para cumprir integralmente os termos do acordo sem apoio do poder público.

Com isso, a discussão não se limita ao pagamento do benefício. O ponto central da paralisação, segundo o sindicato, é a assinatura da convenção coletiva e o cumprimento das cláusulas econômicas e sociais da data-base.

Como fica o transporte a partir de quinta-feira?

A partir de quinta-feira (11), as linhas atingidas pela greve deverão operar com 30% da frota. Esse percentual foi informado pelo Sintro-RN como forma de cumprir a exigência mínima para a manutenção de serviços essenciais.

A greve é por tempo indeterminado, ou seja, não há previsão de encerramento. Até que haja acordo entre trabalhadores e empresas, passageiros das linhas afetadas devem se preparar para redução na oferta de ônibus intermunicipais no RN.