A governadora Fátima Bezerra (PT) elevou o tom contra os principais adversários do campo governista na eleição estadual de 2026 e tentou fixar uma linha divisória clara para a disputa pelo Governo do rio grande do norte. Em entrevista à TV Ponta Negra, nesta segunda-feira (1º), a petista afirmou que o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) representa “o atraso” e classificou o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) como expressão do bolsonarismo e da extrema direita.
As críticas foram feitas no momento em que Fátima comentava o cenário eleitoral e defendia a candidatura do ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado, com a vereadora Samanda Alves (PT) como aposta do partido para o Senado. Para a governadora, apenas essa chapa representa de fato o campo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio Grande do Norte.
“A candidatura que de fato representa o campo lulista no Rio Grande do Norte tem um endereço. É a candidatura de Cadu Xavier com Samanda Alves (PT) para o Senado. É essa fotografia”, afirmou.
A fala revela a estratégia central da governadora: impedir que adversários ocupem espaço no eleitorado lulista e, ao mesmo tempo, nacionalizar a disputa estadual. Fátima tenta apresentar 2026 como um confronto entre o projeto associado a Lula e candidaturas que, segundo ela, se dividem entre o conservadorismo tradicional e o bolsonarismo.
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O ataque mais direto foi contra Allyson Bezerra, que deixou a Prefeitura de Mossoró e deve disputar o Governo do Estado. Fátima afirmou que o ex-prefeito não pertence ao campo progressista nem dialoga com a esquerda, apesar de ter acenado recentemente com pautas simpáticas a esse eleitorado, como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho.
“A candidatura de Mossoró representa o atraso, ela representa o conservadorismo”, afirmou.
Em seguida, a governadora reforçou a tentativa de afastar Allyson do eleitorado ligado ao PT e ao presidente Lula.
“O ex-prefeito de Mossoró sempre foi antilulista, foi antipetista. Ele não tem diálogo, por exemplo, com a esquerda”, declarou.
Na avaliação de Fátima, a candidatura do ex-prefeito mossoroense passou a reunir grupos políticos tradicionais do Rio Grande do Norte. A crítica busca atingir um ponto sensível do discurso de renovação associado a Allyson, ao tentar vinculá-lo às forças mais antigas da política estadual.
“A candidatura do ex-prefeito de Mossoró hoje reúne em torno de si as velhas oligarquias do Estado. Ou seja, o conservadorismo”, disse.
O recado tem alvo político claro. Fátima tenta impedir que Allyson transite com facilidade entre diferentes campos eleitorais e procura fixá-lo no bloco conservador, especialmente diante de movimentos recentes que poderiam abrir disputa por eleitores mais próximos da esquerda em temas sociais e trabalhistas.
Para governadora, Álvaro é ligado ao bolsonarismo e à “ameaça à democracia”
Ao tratar de Álvaro Dias, Fátima adotou outro enquadramento. Se Allyson foi associado ao conservadorismo e às oligarquias, o ex-prefeito de Natal foi colocado diretamente no campo do bolsonarismo.
“A candidatura do ex-prefeito de Natal representa o bolsonarismo, a extrema direita”, afirmou.
A governadora foi além e afirmou que o projeto político ligado a Álvaro representa risco institucional.
“Representa inclusive ameaça exatamente à democracia. É um projeto de caráter autoritário”, declarou.
Com isso, Fátima procura separar os dois adversários em blocos distintos. Allyson aparece, em sua fala, como representante do conservadorismo tradicional potiguar. Álvaro, por sua vez, é apresentado como o nome mais identificado com o campo bolsonarista.
Essa distinção ajuda a construir a leitura que a governadora quer impor à eleição: de um lado, Cadu Xavier como candidato de Lula e do campo progressista; do outro, adversários associados a projetos conservadores ou de extrema direita.
Governadora aposta em polarização entre Cadu e Álvaro
Questionada sobre quem acredita que chegará ao segundo turno, Fátima afirmou que a tendência é uma polarização entre Cadu Xavier e Álvaro Dias. A governadora vinculou diretamente o candidato governista a Lula e o ex-prefeito de Natal ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu acho que vai terminar sendo exatamente a polarização. A polarização de Cadu, de Lula, e Álvaro, aliado de Bolsonaro”, disse.
A declaração tem peso político porque não trata Allyson como o principal adversário em eventual segundo turno, apesar das críticas fortes dirigidas ao ex-prefeito de Mossoró. Ao apontar uma polarização entre Cadu e Álvaro, Fátima tenta antecipar o eixo nacional da disputa e colar a eleição potiguar no embate entre lulismo e bolsonarismo.
Essa leitura também ajuda o governo a organizar sua narrativa de campanha. Em vez de disputar apenas gestão estadual, obras ou desempenho administrativo, a governadora sinaliza que pretende levar a eleição para o campo de identidade política, alinhamento nacional e defesa do projeto representado por Lula.
Crescimento de Cadu é ligado ao apoio de Lula
Fátima também comentou o desempenho de Cadu Xavier em pesquisas divulgadas nos últimos dias. Segundo ela, o crescimento do ex-secretário da Fazenda não surpreende porque estaria em sintonia com o que observa nas ruas.
“É extraordinário ver o quanto o nome de Cadu cresceu, o quanto o nome dele está se popularizando”, afirmou.
A governadora atribuiu o avanço do pré-candidato às credenciais administrativas dele e ao apoio do presidente Lula, apresentado por ela como fator decisivo na campanha estadual.
“Lula é muito forte. Lula vai ser presidente novamente. Vai ser tetra. E aqui no Nordeste nem se fala”, declarou.
Ao repetir a força de Lula no Nordeste, Fátima tenta transformar o apoio presidencial no principal ativo eleitoral da chapa governista. A mensagem é dirigida tanto ao eleitorado quanto aos aliados: Cadu, segundo a governadora, não será apenas o candidato do PT local, mas o representante direto do campo lulista no Rio Grande do Norte.
Ela reforçou essa ideia ao definir o perfil da aliança.
“A candidatura do Cadu é a candidatura que representa o fiel campo progressista e uma aliança de perfil de centro-esquerda no Rio Grande do Norte”, disse.
Fátima quer transferir capital eleitoral para Samanda Alves
A governadora também falou sobre a estratégia para fortalecer Samanda Alves, escolhida pelo PT para disputar o Senado. Fátima afirmou que trabalha para transferir seu capital político à vereadora e disse que essa movimentação será intensificada.
“Esse é o trabalho que nós estamos fazendo e que vamos intensificar cada vez mais”, afirmou, ao ser questionada sobre a transferência de votos.
Ela acrescentou que espera que os eleitores passem a enxergar a candidatura de Samanda como uma continuidade de sua própria trajetória política.
“Em outubro o que nós esperamos é que Fátima seja Samanda lá na chapa”, declarou.
A fala indica que Fátima pretende ocupar papel central na campanha ao Senado, não apenas como apoiadora formal, mas como fiadora política da candidatura petista. A estratégia é transferir identificação, presença territorial e voto consolidado para Samanda dentro da composição governista.
PSDB pode indicar vice na chapa de Cadu Xavier
Além de defender Cadu e Samanda, Fátima confirmou que trabalha para ampliar a aliança governista. A governadora manifestou interesse na permanência do PSDB no grupo político liderado pelo PT no Rio Grande do Norte.
Segundo ela, há conversas para que o partido presidido no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, participe da chapa majoritária. Uma das possibilidades é que o PSDB indique o candidato a vice-governador na chapa de Cadu Xavier.
“Tem sim essa possibilidade, colocada concretamente, de o PSDB, em vindo participar da nossa aliança, sugerir o nome para ser o vice de Cadu”, afirmou.
A declaração mostra que o PT tenta combinar discurso de identidade ideológica com composição política mais ampla. Enquanto Fátima endurece o tom contra Allyson e Álvaro no campo público, também trabalha para manter aliados de centro dentro do palanque governista.
Disputa de 2026 ganha contorno nacional no RN
A entrevista de Fátima Bezerra deixa claro que a governadora pretende enquadrar a eleição de 2026 no Rio Grande do Norte como uma disputa entre campos nacionais. O esforço é vincular Cadu Xavier e Samanda Alves diretamente ao projeto de Lula, enquanto Allyson Bezerra e Álvaro Dias são apresentados como expressões de campos políticos que, segundo ela, se opõem ao lulismo.
O movimento tem função eleitoral objetiva. Ao chamar Allyson de antilulista e Álvaro de extrema direita, Fátima tenta organizar o debate antes da campanha formal e reduzir a margem para que adversários disputem o eleitorado identificado com Lula no Estado.
A linha adotada pela governadora também mostra que o PT pretende fazer da eleição estadual uma extensão da disputa nacional. Nesse desenho, Cadu Xavier aparece como o nome administrativo e político do governo, Samanda Alves como aposta para herdar parte do capital eleitoral de Fátima, e Lula como eixo de sustentação da chapa.
