Servidores da saúde do RN param por 24h e denunciam precarização em hospitais

Paralisação reúne denúncia sobre condições de trabalho, cobrança por novos servidores e alerta sobre a estrutura mínima necessária para manter hospitais funcionando com segurança.
Trabalhadores da saúde do RN fazem paralisação e denunciam falta de condições em hospitais

Resumo da Notícia

  • Trabalhadores da saúde do Rio Grande do Norte fazem paralisação de 24 horas nesta quarta-feira (17) para denunciar precarização nos hospitais estaduais e cobrar a convocação dos aprovados no concurso da Sesap 2025.
  • A mobilização terá ato público às 9h, em frente à Sesap, em Natal, com o nome de “Arraiá do Desgoverno”, e deve impactar serviços de saúde em todo o estado.
  • O Sindsaúde/RN denuncia plantões exaustivos, sobrecarga provocada pela falta de profissionais e condições precárias de trabalho dentro das unidades hospitalares.
  • No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, servidores foram informados de que as refeições destinadas a trabalhadores e acompanhantes seriam suspensas a partir de terça-feira (16), sem previsão de retorno.
  • O sindicato afirma que o problema das refeições se repete em unidades hospitalares desde o início do ano e passou a cobrar garantia de alimentação em situações emergenciais, como falta de gêneros alimentícios ou paralisações de terceirizados.

Trabalhadores da saúde do Rio Grande do Norte fazem uma paralisação de 24 horas nesta quarta-feira (17) para denunciar a precarização do trabalho nos hospitais estaduais e cobrar a convocação imediata dos aprovados no concurso da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), realizado em 2025. A mobilização foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindsaúde/RN).

O ato público está marcado para 9h, em frente à Sesap, em Natal, com o nome de “Arraiá do Desgoverno”. A categoria afirma que a paralisação deve impactar serviços de saúde em todo o estado, principalmente diante da sobrecarga causada pela falta de profissionais nas unidades.

A pauta ganhou ainda mais peso após a denúncia de suspensão das refeições destinadas a servidores e acompanhantes no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. De acordo com o sindicato, os trabalhadores foram informados desde terça-feira (16) de que o fornecimento seria interrompido sem previsão de retorno.

Paralisação cobra convocação de aprovados no concurso da Sesap

O Sindsaúde/RN afirma que a falta de pessoal tem ampliado a sobrecarga nos hospitais estaduais e tornado os plantões mais exaustivos. A convocação dos aprovados no concurso da Sesap aparece como uma das principais cobranças da paralisação desta quarta-feira.

A categoria diz que a precarização não está restrita a um único hospital. O sindicato aponta que problemas semelhantes vêm se repetindo em diversas unidades do estado desde o início do ano, com reflexos diretos na rotina dos profissionais e na assistência prestada à população.

Na avaliação dos trabalhadores, a ausência de condições adequadas de trabalho afeta tanto quem atua na linha de frente quanto pacientes e acompanhantes que dependem da rede pública.

Falta de refeições no Walfredo Gurgel ampliou tensão

A denúncia sobre o Hospital Walfredo Gurgel tornou-se um dos pontos centrais da mobilização. Segundo o Sindsaúde/RN, um comunicado interno do setor de nutrição informou a suspensão das refeições de servidores e acompanhantes a partir de terça-feira.

O sindicato afirma que o motivo apresentado foi a falta de gêneros alimentícios, ligada ao abastecimento irregular por parte de fornecedores diante da ausência de pagamento.

Em nota, a entidade criticou a situação e afirmou que os trabalhadores não podem ser responsabilizados por um problema de gestão:

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Mais uma vez, os servidores e servidoras do Hospital Walfredo Gurgel foram surpreendidos com o comunicado interno do setor de nutrição, informando que a partir desta terça-feira (16), as refeições dos servidores e acompanhantes serão suspensas, sem previsão de retorno. O motivo alegado é a falta de gêneros alimentícios, decorrente do abastecimento irregular por parte de fornecedores diante da ausência de pagamento.

A entidade também questionou o pedido de compreensão feito aos servidores. Para o sindicato, alimentação durante o plantão não é detalhe administrativo, mas condição mínima para garantir atendimento adequado.

No comunicado, a direção solicita compreensão. No entanto, ignora uma questão essencial: para garantir um atendimento digno à população, os trabalhadores precisam, antes de tudo, ter condições mínimas de trabalho, o que inclui alimentação. Mais uma vez, os servidores serão penalizados por uma responsabilidade que é exclusivamente do governo do Estado.

Além dos servidores, o Sindsaúde/RN chama atenção para os acompanhantes de pacientes, especialmente aqueles que vêm do interior e não têm recursos para se manter durante a permanência no hospital.

É inadmissível que a categoria que já ganha muito pouco tenha que arcar, do próprio bolso, com sua alimentação durante o plantão. A situação é ainda mais grave para os acompanhantes de pacientes, muitos vindos do interior, que não dispõem de recursos para se manter. Pessoas que já estão lidando com a dor e o sofrimento, agora, também tendo que lidar com a incerteza de algo básico: o direito à alimentação.

A entidade afirma que a crise no fornecimento de refeições expõe novamente o descaso com a saúde pública e com os profissionais que sustentam o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A crise no fornecimento de refeições expõe novamente o descaso com a saúde pública e com aqueles que sustentam o funcionamento do Sistema Único de Saúde. É urgente que medidas sejam tomadas para garantir condições dignas a servidores, pacientes e acompanhantes.

Alimentação entrou na pauta de reivindicações

Diante da repetição do problema, o Sindsaúde/RN incluiu na pauta de reivindicações a garantia de alimentação por parte da gestão em situações emergenciais, como falta de gêneros alimentícios ou paralisações de trabalhadores terceirizados.

A cobrança busca evitar que servidores, pacientes e acompanhantes sejam novamente penalizados quando houver falhas no abastecimento ou interrupção de serviços de apoio dentro das unidades hospitalares.

Diante desse cenário recorrente, o Sindsaúde/RN incluiu na sua pauta de reivindicações a garantia da alimentação por parte da gestão em situações emergenciais como a falta de gêneros alimentícios ou paralisações de trabalhadores terceirizados. A medida busca assegurar que episódios como este não continuem penalizando quem está na linha de frente do atendimento e aqueles que mais precisam do serviço público.

A paralisação desta quarta-feira, portanto, não se limita a uma pauta salarial ou corporativa. Ela reúne denúncia sobre condições de trabalho, cobrança por novos servidores e alerta sobre a estrutura mínima necessária para manter hospitais funcionando com segurança.

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