Coronel Azevedo elogia ação policial após atentado contra Cabo Deyvison e adota tom diferente de Álvaro

Deputado do PL destacou integração entre as polícias do RN e do Ceará; ex-prefeito de Natal havia criticado o Governo do Estado após o ataque.
Coronel Azevedo (PL)
Coronel Azevedo (PL) - Crédito: Eduardo Maia / ALRN

Resumo da Notícia

  • Coronel Azevedo (PL) elogiou a atuação das forças de segurança do RN e do Ceará após o atentado contra Cabo Deyvison (PL), em Mossoró.
  • A posição do deputado contrasta com críticas feitas por Álvaro Dias (PL), que acusou o Governo do RN de omissão após o ataque.
  • O caso já resultou na prisão de quatro suspeitos, sendo dois em Beberibe (CE) e dois em Mossoró.
  • Azevedo pediu que as investigações avancem para identificar eventuais mandantes e esclarecer um suposto Pix de R$ 10 mil localizado em celular apreendido.
  • A Polícia Civil ainda não confirmou ligação entre o atentado, possíveis ameaças anteriores relatadas por Deyvison, a transferência via Pix ou eventuais mandantes.

O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) adotou um tom diferente do usado por Álvaro Dias (PL) ao comentar o atentado que matou o assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais e deixou ferido o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL).

Em entrevista à 97 FM nesta quarta-feira (17), Azevedo elogiou a atuação das forças de segurança do Rio Grande do Norte e do Ceará. O parlamentar destacou que a resposta policial foi rápida e atribuiu o avanço das investigações à integração entre as corporações dos dois estados.

O caso ganhou repercussão desde a noite de segunda-feira (15), quando Cabo Deyvison foi baleado em frente à UPA do Alto de São Manoel, em Mossoró, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. O vereador permanece internado com quadro estável. O assessor Alyson Dyego morreu após o ataque.

Azevedo, que foi comandante-geral da Polícia Militar em 2017, afirmou ter procurado o secretário de Segurança Pública, coronel Francisco Canindé de Araújo Silva, para reconhecer o trabalho das equipes envolvidas.

Entrei em contato com o secretário de Segurança Pública [coronel Francisco Canindé de Araújo Silva] para parabenizar a atuação das forças de segurança. Houve uma integração muito importante entre a Polícia Militar do Rio Grande do Norte e a Polícia Militar do Ceará, que permitiu a prisão dos suspeitos”, afirmou o parlamentar.

Até o momento, quatro pessoas foram presas no curso das investigações. Dois investigados foram capturados em Beberibe (CE) horas depois do crime. Segundo as informações repassadas, eles confessaram participação no atentado e indicaram o local onde estavam escondidos um colete balístico e armamentos.

Outros dois suspeitos foram presos em Mossoró nesta quarta-feira (17). Na ação, duas armas também foram apreendidas e serão encaminhadas para perícia.

Deputado pede avanço sobre possíveis mandantes

Ao comentar o caso, Coronel Azevedo afirmou que a prisão de suspeitos é uma etapa importante, mas defendeu que a investigação avance para identificar quem teria ordenado o ataque, caso essa hipótese seja confirmada pelas apurações.

Imagino que tenha havido algum tipo de interação com a Polícia do Rio Grande do Norte. Por isso, parabenizo a polícia cearense e a polícia potiguar pelo trabalho realizado”, declarou.

Na sequência, o deputado mencionou uma informação que estaria em poder da Polícia Militar: uma transferência via Pix de R$ 10 mil identificada em um dos celulares apreendidos com suspeitos de envolvimento no crime.

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Azevedo afirmou que esse ponto precisa ser esclarecido pelas autoridades, especialmente para verificar se há relação entre a transferência, a motivação do atentado e eventuais mandantes.

Esperamos saber quem mandou esse Pix e qual a relação dele com esse crime. Espero que a Justiça seja feita com muito critério e muita técnica”, afirmou.

A Polícia Civil ainda não confirmou uma ligação entre o Pix, a motivação do atentado ou possíveis mandantes. A apuração também segue sobre a hipótese de relação entre o crime e denúncias feitas anteriormente por Deyvison nas redes sociais, nas quais o vereador relatou supostas ameaças de facções criminosas.

Tom contrasta com críticas feitas por Álvaro Dias

A fala de Coronel Azevedo contrasta com a manifestação feita por Álvaro Dias, pré-candidato do PL ao Governo do Estado. Logo após o ataque contra Cabo Deyvison e o assessor, o ex-prefeito de Natal publicou críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e acusou o governo de omissão na segurança pública.

O Governo do Estado tem de parar de se omitir. Tem de atuar, tem de fazer com que a segurança e a tranquilidade retornem ao nosso estado. Já basta de omissão, já basta de deixar o crime organizado atuar, assassinar, roubar, sem que o Governo do Estado tome as providências devidas e necessárias para acabar e mudar essa situação”, afirmou Álvaro, em vídeo nas redes sociais.

Em outra publicação, gravada ao lado de Deyvison em um leito de hospital, Álvaro voltou a criticar o governo estadual e defendeu que a investigação do atentado tivesse participação da Polícia Federal.

Tudo faremos para combater o crime organizado que não tem tido um combate eficaz por parte do Governo do Estado”, destacou Álvaro.

Azevedo também é opositor ao governo Fátima e já fez críticas à gestão em outras áreas, como a fiscal e programas voltados ao sistema prisional. Desta vez, porém, o deputado reconheceu avanços na segurança pública durante o atual governo, especialmente pela realização de concursos públicos para reforçar os efetivos das forças policiais.

Segundo ele, a recomposição dos quadros da Polícia Militar e da Polícia Civil foi importante para fortalecer o combate à criminalidade. O deputado, no entanto, atribuiu parte dos investimentos recentes em equipamentos à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O que houve, realmente, foi um acréscimo em relação a concurso público. Mas é uma necessidade. Não existe sociedade sem polícia. Esses concursos iria haver ou então o Rio Grande do Norte não teria mais Polícia Militar. Nós éramos a polícia com a maior faixa etária do Brasil”, destacou.

Atentado ocorreu durante transmissão ao vivo

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O atentado contra Cabo Deyvison ocorreu na noite de segunda-feira (15), em frente à UPA do Alto de São Manoel, em Mossoró. Homens armados passaram em um veículo e efetuaram diversos disparos enquanto o vereador fazia uma transmissão ao vivo para as redes sociais.

Cabo Deyvison foi baleado e segue internado em quadro estável. O assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais morreu.

Antes do ataque, Deyvison havia denunciado nas redes sociais supostas ameaças de facções criminosas. Essa possibilidade ainda está sob investigação. Até agora, a Polícia Civil não confirmou ligação entre as denúncias e o atentado.

As investigações avançaram com uma operação integrada entre as polícias do Rio Grande do Norte e do Ceará. Além das prisões, foram apreendidos armamentos, um colete balístico e celulares que devem ser analisados pelas autoridades.