Resumo da Notícia
O Rio Grande do Norte registrou a segunda maior proporção de domicílios sem aparelho de televisão do Nordeste. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento aponta que, no ano de 2025, exatamente 9,2% das residências potiguares não contavam com nenhum equipamento de TV, o que representa um contingente de aproximadamente 119 mil lares sem o eletrônico. Essa realidade local supera significativamente a média nacional de desabastecimento do aparelho, que ficou fixada em 6,1%.
A ausência do televisor nos lares potiguares reflete uma mudança profunda nos hábitos de consumo de informação e entretenimento da população. Historicamente considerado o principal eletrodoméstico do país, o aparelho vem perdendo espaço físico nas residências do estado. Na análise regional promovida pelo IBGE, a falta de televisão no território potiguar só não é maior do que a registrada no Maranhão, onde o índice de lares sem o equipamento chegou a 10,4%.
A série histórica revela que o desinteresse ou a substituição da tela tradicional acelerou na última década. No ano de 2016, no início do monitoramento desse módulo da pesquisa, meros 2,6% das residências no Rio Grande do Norte não possuíam televisão. O salto para quase 10% em menos de dez anos acende um alerta para as emissoras de radiodifusão e para o mercado publicitário tradicional, indicando que uma parcela expressiva de cidadãos está desconectada dos canais convencionais de comunicação de massa.
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RN lidera em conectividade digital e abandona o rádio
Se a tela da televisão encolheu na preferência do cidadão potiguar, o acesso ao ambiente digital seguiu o caminho oposto. O módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) revelou que o Rio Grande do Norte conquistou a maior proporção de domicílios conectados à internet de todo o Nordeste em 2025. O serviço de rede chegou à marca histórica de 94,4% dos lares do estado, ultrapassando Sergipe, que registrou 93,5%.
Ao todo, mais de 1,21 milhão de residências no estado utilizavam a internet no período analisado. Atualmente, apenas 5,6% dos lares norte-riograndenses permanecem totalmente desconectados. O indicador consolida uma trajetória de inclusão digital acelerada, visto que o índice de exclusão era de 7,7% em 2024 e de expressivos 33,7% em 2016. Essa explosão da conectividade ajuda a explicar por que muitos cidadãos dispensam a televisão e passam a consumir notícias e vídeos diretamente nas telas de smartphones e computadores.
Por outro lado, o rádio, outro gigante da comunicação tradicional, vive seu pior momento no estado. O levantamento estatístico comprovou que, pela primeira vez na história, a presença de aparelhos de rádio caiu para menos da metade das residências locais. Em 2025, apenas 43,1% dos lares potiguares guardavam o dispositivo, consolidando uma retração contínua face aos 50,2% apurados no ano anterior.
O perfil tecnológico das telas e a rejeição aos serviços pagos
Para os domicílios norte-riograndenses que ainda mantêm o hábito de ligar a televisão, o IBGE identificou o perfil tecnológico do parque de aparelhos instalado e as formas de captação de sinal:
- Sinal de transmissão: Cerca de 79,4% das residências captavam o sinal aberto de televisão, seja ele analógico ou digitalizado.
- Tipo de aparelho: As telas finas (tecnologias LED, LCD ou Plasma) são amplamente dominantes, estando presentes em 92,2% das casas com TV.
- Televisores antigos: Os aparelhos de tubo resistem em condições de isolamento, aparecendo exclusivamente em 6,3% das residências avaliadas.
A pesquisa detalhou também o comportamento do consumidor em relação aos pacotes de entretenimento privado. A imensa maioria da população local recusa contratos de operadoras de TV por assinatura: 79,6% das residências não dispunham desse tipo de serviço em 2025. Ao mapear os motivos dessa rejeição, as entrevistas revelaram que 63,5% das pessoas disseram simplesmente não ter interesse nos canais pagos, enquanto 22,5% apontaram o fator preço/custo elevado como o principal impeditivo.
O cenário de recusa ao pagamento por conteúdo se estende ao mercado digital. De acordo com os pesquisadores, 68,6% dos domicílios do Rio Grande do Norte equipados com aparelhos de televisão não possuíam acesso a nenhuma plataforma paga de streaming de vídeo (como Netflix, Prime Video ou Globoplay), sinalizando uma forte dependência das programações gratuitas locais.
Com a consolidação desses indicadores, as redes de TV e rádio do estado enfrentam o desafio técnico e comercial de se reinventarem para capturar a atenção de um público que prioriza a internet de forma massiva. A tendência de esvaziamento das mídias físicas tradicionais deve guiar as próximas estratégias governamentais de inclusão digital e de distribuição de avisos de utilidade pública, priorizando as plataformas digitais mobile para dialogar com a população mais conectada da região.
