A cesta básica ficou mais pesada no orçamento de quem vive em Natal. Em maio, o conjunto de alimentos básicos chegou a R$ 710,79, alta de 6,18% em relação a abril, quando custava R$ 669,39. Com esse avanço, a capital do Rio Grande do Norte registrou a 7ª maior alta mensal entre as 27 capitais pesquisadas.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (11) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento também mostra que, no acumulado de 2026, a cesta básica em Natal já subiu 19,03%. Em 12 meses, o aumento chega a 10,20%.
O impacto aparece de forma direta no tempo de trabalho necessário para comprar os alimentos. Em maio, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou cumprir 96 horas e 28 minutos de jornada para pagar a cesta básica. Em abril, eram necessárias 90 horas e 51 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto da Previdência Social, os itens básicos consumiram 47,4% da renda do trabalhador natalense. No mês anterior, esse peso era de 44,64%.
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Natal teve a 7ª maior alta entre as capitais
A alta de 6,18% colocou Natal entre as capitais onde a cesta básica mais subiu em maio. A capital potiguar ficou atrás de Recife, que teve a maior variação do país, com 8,05%, seguida por Florianópolis (7,81%), Fortaleza (7,48%), Porto Alegre (7,24%), Maceió (6,68%) e João Pessoa (6,22%).
Com o resultado, Natal ficou à frente de capitais como Curitiba, onde a alta foi de 5,91%, e Aracaju, que registrou aumento de 5,39%.
A variação chama atenção porque o reajuste não ficou concentrado em apenas um item. Dos 12 produtos que compõem a cesta básica, seis ficaram mais caros em maio na capital potiguar.
Tomate, feijão e manteiga puxaram a alta
O maior aumento foi o do tomate, que subiu 23,83% entre abril e maio. Em 12 meses, a alta acumulada do produto chega a 57,62%. Segundo o Dieese, o tomate ficou mais caro em praticamente todo o país por causa da redução da oferta, provocada pelo clima frio e por problemas com pragas em algumas regiões produtoras.
O feijão também pesou no bolso, com alta de 9,25% no mês e avanço de 29,63% em 12 meses. A manteiga subiu 5,90% em maio, enquanto o leite teve aumento de 5,22%.
A carne bovina registrou alta de 4,76% no mês. De acordo com o Dieese, a elevação foi influenciada pela demanda externa aquecida e pela oferta mais restrita de animais prontos para abate.
Entre os produtos que subiram, o arroz teve variação mensal de 2,53%, embora ainda acumule queda de 28,57% em 12 meses.
| Produto | Variação de abril para maio | Variação em 12 meses |
|---|---|---|
| Tomate | 23,83% | 57,62% |
| Feijão | 9,25% | 29,63% |
| Manteiga | 5,90% | 2,28% |
| Leite | 5,22% | 5,22% |
| Carne | 4,76% | 6,64% |
| Arroz | 2,53% | -28,57% |
| Total da cesta | 6,18% | 10,20% |
Fonte: Dieese/Conab.
Banana, açúcar, farinha, café e pão ficaram mais baratos
Apesar da alta no valor total da cesta, cinco itens tiveram queda de preço em Natal. A maior redução foi a da banana, que ficou 4,77% mais barata em maio. Em 12 meses, o produto acumula queda de 1,56%.
O açúcar caiu 2,61% no mês e tem recuo de 16,93% em 12 meses. A farinha teve queda de 1,06%, enquanto o café recuou 0,49%. O pão apresentou redução de 0,20% em maio, embora ainda acumule alta de 4,08% em 12 meses.
O óleo ficou estável no mês, com variação de 0%, e acumula leve alta de 0,11% em 12 meses.
| Produto | Variação de abril para maio | Variação em 12 meses |
| Banana | -4,77% | -1,56% |
| Açúcar | -2,61% | -16,93% |
| Farinha | -1,06% | -8,76% |
| Café | -0,49% | -12,47% |
| Pão | -0,20% | 4,08% |
| Óleo | 0% | 0,11% |
Fonte: Dieese/Conab.
Salário mínimo necessário seria de R$ 7.999,44
O Dieese também calculou que, para sustentar uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 7.999,44 em maio. O valor corresponde a 4,93 vezes o piso nacional de R$ 1.621.
Esse dado reforça o tamanho da distância entre o custo estimado para atender despesas básicas e a renda de quem recebe o salário mínimo. Em Natal, quase metade do salário mínimo líquido foi comprometida apenas com a compra dos alimentos essenciais da cesta básica.
O alerta, portanto, não está apenas na alta mensal de 6,18%, mas no efeito acumulado. A cesta de Natal já subiu 19,03% em 2026, pressionada por alimentos de consumo frequente, como tomate, feijão, leite, carne e manteiga.
