Cesta básica dispara em Natal e já consome quase metade do salário mínimo líquido

No acumulado de 2026, a cesta básica em Natal subiu 19,03%; em 12 meses, a variação acumulada é de 10,20%.
feira mercado Supermercados propõem alterar validade de alimentos para reduzir preços
Foto: Rafael Nicácio / Direitos Reservados / Portal N10

A cesta básica ficou mais pesada no orçamento de quem vive em Natal. Em maio, o conjunto de alimentos básicos chegou a R$ 710,79, alta de 6,18% em relação a abril, quando custava R$ 669,39. Com esse avanço, a capital do Rio Grande do Norte registrou a 7ª maior alta mensal entre as 27 capitais pesquisadas.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (11) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento também mostra que, no acumulado de 2026, a cesta básica em Natal já subiu 19,03%. Em 12 meses, o aumento chega a 10,20%.

O impacto aparece de forma direta no tempo de trabalho necessário para comprar os alimentos. Em maio, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou cumprir 96 horas e 28 minutos de jornada para pagar a cesta básica. Em abril, eram necessárias 90 horas e 51 minutos.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto da Previdência Social, os itens básicos consumiram 47,4% da renda do trabalhador natalense. No mês anterior, esse peso era de 44,64%.

Natal teve a 7ª maior alta entre as capitais

A alta de 6,18% colocou Natal entre as capitais onde a cesta básica mais subiu em maio. A capital potiguar ficou atrás de Recife, que teve a maior variação do país, com 8,05%, seguida por Florianópolis (7,81%), Fortaleza (7,48%), Porto Alegre (7,24%), Maceió (6,68%) e João Pessoa (6,22%).

Com o resultado, Natal ficou à frente de capitais como Curitiba, onde a alta foi de 5,91%, e Aracaju, que registrou aumento de 5,39%.

A variação chama atenção porque o reajuste não ficou concentrado em apenas um item. Dos 12 produtos que compõem a cesta básica, seis ficaram mais caros em maio na capital potiguar.

Tomate, feijão e manteiga puxaram a alta

O maior aumento foi o do tomate, que subiu 23,83% entre abril e maio. Em 12 meses, a alta acumulada do produto chega a 57,62%. Segundo o Dieese, o tomate ficou mais caro em praticamente todo o país por causa da redução da oferta, provocada pelo clima frio e por problemas com pragas em algumas regiões produtoras.

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O feijão também pesou no bolso, com alta de 9,25% no mês e avanço de 29,63% em 12 meses. A manteiga subiu 5,90% em maio, enquanto o leite teve aumento de 5,22%.

A carne bovina registrou alta de 4,76% no mês. De acordo com o Dieese, a elevação foi influenciada pela demanda externa aquecida e pela oferta mais restrita de animais prontos para abate.

Entre os produtos que subiram, o arroz teve variação mensal de 2,53%, embora ainda acumule queda de 28,57% em 12 meses.

ProdutoVariação de abril para maioVariação em 12 meses
Tomate23,83%57,62%
Feijão9,25%29,63%
Manteiga5,90%2,28%
Leite5,22%5,22%
Carne4,76%6,64%
Arroz2,53%-28,57%
Total da cesta6,18%10,20%

Fonte: Dieese/Conab.

Banana, açúcar, farinha, café e pão ficaram mais baratos

Apesar da alta no valor total da cesta, cinco itens tiveram queda de preço em Natal. A maior redução foi a da banana, que ficou 4,77% mais barata em maio. Em 12 meses, o produto acumula queda de 1,56%.

O açúcar caiu 2,61% no mês e tem recuo de 16,93% em 12 meses. A farinha teve queda de 1,06%, enquanto o café recuou 0,49%. O pão apresentou redução de 0,20% em maio, embora ainda acumule alta de 4,08% em 12 meses.

O óleo ficou estável no mês, com variação de 0%, e acumula leve alta de 0,11% em 12 meses.

ProdutoVariação de abril para maioVariação em 12 meses
Banana-4,77%-1,56%
Açúcar-2,61%-16,93%
Farinha-1,06%-8,76%
Café-0,49%-12,47%
Pão-0,20%4,08%
Óleo0%0,11%

Fonte: Dieese/Conab.

Salário mínimo necessário seria de R$ 7.999,44

O Dieese também calculou que, para sustentar uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 7.999,44 em maio. O valor corresponde a 4,93 vezes o piso nacional de R$ 1.621.

Esse dado reforça o tamanho da distância entre o custo estimado para atender despesas básicas e a renda de quem recebe o salário mínimo. Em Natal, quase metade do salário mínimo líquido foi comprometida apenas com a compra dos alimentos essenciais da cesta básica.

O alerta, portanto, não está apenas na alta mensal de 6,18%, mas no efeito acumulado. A cesta de Natal já subiu 19,03% em 2026, pressionada por alimentos de consumo frequente, como tomate, feijão, leite, carne e manteiga.