Polícia Civil recupera joias de mais de R$ 500 mil após golpe do falso sequestro em Natal

Três suspeitos foram presos na Zona Norte; mala com os bens estava em uma agência dos Correios e seria enviada ao Rio de Janeiro.
Operação Cativeiro Virtual recupera joias levadas de idosa em Natal
Operação Cativeiro Virtual recupera joias levadas de idosa em Natal - Crédito: Polícia Civil

Resumo da Notícia

  • A Polícia Civil do RN prendeu três suspeitos na Zona Norte de Natal durante a Operação Cativeiro Virtual.
  • A vítima, uma idosa de 80 anos, foi pressionada por mais de 12 horas após receber uma chamada de vídeo com falsa ameaça de sequestro da filha.
  • Joias avaliadas em mais de R$ 500 mil foram recuperadas em uma agência dos Correios, antes de serem enviadas ao Rio de Janeiro.
  • Os presos são investigados por extorsão mediante grave ameaça; parte do grupo teria atuado remotamente a partir de outros estados.
  • A Polícia Civil orienta vítimas a interromper o contato, confirmar a situação por outros meios e acionar as forças de segurança.

Uma idosa de 80 anos passou mais de 12 horas sob ameaças e pressão psicológica depois de receber uma chamada de vídeo com uma falsa história de sequestro. O caso terminou com a prisão em flagrante de três suspeitos em Natal e a recuperação integral de joias avaliadas em mais de R$ 500 mil, segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

A ação ocorreu na noite desta quarta-feira (17), dentro da Operação Cativeiro Virtual. Foram presos dois homens, de 24 e 27 anos, no bairro Potengi, e uma mulher, de 25 anos, no bairro Nossa Senhora da Apresentação. Os dois bairros ficam na Zona Norte de Natal.

Os três são investigados pelo crime de extorsão mediante grave ameaça, na modalidade conhecida como golpe do falso sequestro. Após os procedimentos na unidade policial, eles foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.

Como o golpe foi aplicado

De acordo com as investigações, o crime começou por volta das 21h da terça-feira (16). A vítima recebeu uma chamada de vídeo, por meio de um aplicativo de mensagens, de um homem que se apresentou como sequestrador. Ele dizia manter a filha da idosa em cárcere privado na cidade de São Paulo (SP).

A fraude foi sustentada por horas. Durante a chamada, uma mulher se passou pela filha da vítima, reforçando a versão criada pelos criminosos. Sob medo e acreditando que a vida da filha estava em risco, a idosa entregou uma mala com diversas joias a um homem que foi ao local em uma motocicleta para recolher os bens.

Somente depois de desconfiar da situação, a vítima procurou a Polícia Civil. A partir daí, as equipes iniciaram diligências para localizar os suspeitos e impedir que os objetos fossem enviados para fora do Rio Grande do Norte.

Joias estavam prontas para envio pelos Correios

Durante a investigação, a Polícia Civil identificou que a mala com as joias já estava em uma unidade dos Correios na capital potiguar. O material estava pronto para ser remetido ao estado do Rio de Janeiro.

A recuperação ocorreu antes do envio, o que permitiu a restituição integral dos bens à vítima. Confira imagens no vídeo abaixo:

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Segundo a apuração, parte do grupo investigado atuava de forma remota, a partir de outros estados, sendo responsável pela execução do golpe e pela coação psicológica. Já os suspeitos presos no Rio Grande do Norte teriam, conforme a investigação, a função de receber, ocultar e providenciar o encaminhamento dos bens para fora do estado.

As investigações continuam para identificar e responsabilizar outros possíveis integrantes do grupo, especialmente os responsáveis pela etapa remota do golpe e pelas ameaças feitas à vítima.

O nome Cativeiro Virtual faz referência à falsa situação de sequestro criada por telefone ou chamada de vídeo. Nesse tipo de golpe, os criminosos tentam fazer a vítima acreditar que um familiar está em cárcere privado e usam o medo para obter dinheiro ou bens de valor.

No caso investigado em Natal, a narrativa envolvia a suposta filha da vítima. A Polícia Civil aponta que a coação psicológica foi usada para manter a idosa em estado de pânico e impedir que ela verificasse, por outros meios, se a história era verdadeira.

A operação integra as estratégias da Polícia Civil do Rio Grande do Norte no enfrentamento a crimes patrimoniais, com foco não apenas na responsabilização dos envolvidos, mas também na recuperação e restituição dos bens subtraídos das vítimas.

Como se proteger do golpe do falso sequestro

O golpe do falso sequestro costuma começar com uma ligação, mensagem ou chamada de vídeo. O criminoso afirma que um parente da vítima foi sequestrado e exige pagamento imediato, transferência bancária ou entrega de bens.

Para tornar a fraude mais convincente, os golpistas podem usar informações retiradas de redes sociais, simular gritos e choros ou colocar comparsas para se passarem pelo familiar supostamente sequestrado.

A orientação é manter a calma e tentar confirmar a informação por outro canal. A vítima deve encerrar o contato, ligar diretamente para o familiar citado, falar com parentes ou pessoas próximas e acionar as forças de segurança. Não devem ser feitas transferências nem entregues bens antes de a situação ser verificada.

A Polícia Civil também recomenda cautela na exposição de rotinas familiares e informações pessoais nas redes sociais, já que esses dados podem ser usados por criminosos para dar aparência de verdade ao golpe.

Informações sobre esse tipo de crime podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181.