Resumo da Notícia
Os professores da rede estadual do Rio Grande do Norte que iniciam a carreira no magistério público recebem vencimentos acima da média do país. Com uma remuneração média de R$ 6.814,88 para jornada de 40 horas semanais, os docentes do estado superam a nacional de R$ 6.212,36 (calculada sem gratificações) e de R$ 6.599,46 (quando somados os adicionais).
Os dados constam no relatório “Planos de Carreira e Remuneração do Magistério das Redes Públicas Estaduais – 2025“, elaborado pelo Movimento Profissão Docente, organização filantrópica voltada à educação. No cenário de pagamento que desconsidera gratificações, o Rio Grande do Norte se junta a um grupo seleto de outros nove estados brasileiros que conseguem remunerar seus profissionais de entrada acima do patamar médio nacional.
O levantamento traz um panorama sobre a atratividade salarial do magistério. Quando comparado aos outros estados da Região Nordeste sob a ótica dos vencimentos fixos de partida (sem adicionais), o ganho inicial potiguar se consolida como o terceiro melhor da região. O estado fica atrás somente do Maranhão, que registra R$ 8.452,03, e da Paraíba, com R$ 6.944,09.
No entanto, a configuração do ranking muda quando as vantagens e gratificações temporárias de outras redes entram na equação. Nesse segundo cenário, o Rio Grande do Norte desce para a quinta posição regional, sendo superado pelas estruturas remuneratórias de Sergipe (R$ 6.936,60) e do Ceará (R$ 6.839,11), que incorporam mais adicionais ao salário-base de seus profissionais recém-ingressos.
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A evolução de valores ao longo dos anos também apresenta destaque. O docente licenciado da rede estadual que atinge o topo da carreira no RN obtém remuneração média de R$ 10.570,80. Esse patamar é o oitavo maior de todo o Brasil e o segundo melhor da região nordestina, superado apenas pelo Ceará, que registra média de R$ 12.538,03 no topo da carreira. A média nacional nesse extrato é de R$ 9.338,16.
Ranking de salários iniciais para Professores no Nordeste (40h semanais)
| Posição | Estado | Sem Gratificação | Com Gratificação |
| 1º | Maranhão | R$ 8.452,03 | R$ 8.452,03 |
| 2º | Paraíba | R$ 6.944,09 | R$ 6.944,09 |
| 3º | Rio Grande do Norte | R$ 6.814,88 | R$ 6.814,88 (5º colocado) |
| 4º | Ceará | R$ 4.965,24 | R$ 6.839,11 |
| 5º | Sergipe | R$ 6.176,76 | R$ 6.936,60 |
Progressão de carreira e comparação com outros setores
Um dos destaques revelados no estudo do Movimento Profissão Docente aponta que a carreira do magistério estadual do RN possui uma amplitude temporal de 20 anos para o trabalhador atingir o topo de sua progressão funcional. O tempo exigido é mais ágil do que a média nacional das redes públicas estaduais, estabelecida em 25 anos.
Além do tempo reduzido para alcançar a última classe da carreira, a amplitude remuneratória — que calcula o percentual de evolução salarial acumulado pelo professor ao longo de sua trajetória de trabalho — registra uma valorização real de 55,1% no Rio Grande do Norte. Trata-se do segundo maior avanço financeiro no Nordeste, ficando atrás do Ceará, que apresenta variação de 152,7% (sem adicionais) e 134,2% (com adicionais).
O relatório indica ainda que o RN integra a lista dos 11 estados do país onde a média de rendimento dos professores da rede pública é superior à média salarial praticada para outros profissionais com nível superior no mercado de trabalho local.
Para a secretária estadual de Educação do Rio Grande do Norte, Socorro Batista, esses indicadores servem para incentivar o desenvolvimento das práticas pedagógicas em sala de aula. “Entendemos que essa realidade traz para a categoria docente um compromisso cada vez maior para avançarmos no que diz respeito à qualidade do ensino do Rio Grande do Norte“, avaliou a secretária.
Sindicato cobra cumprimento da data-base e reformas estruturais
Por outro lado, os representantes dos trabalhadores enfatizam que os salários não devem ser analisados de forma isolada das condições cotidianas de trabalho. O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (SINTE-RN), Miguel Salustiano, argumenta que a evolução dos índices é real e reflete anos de mobilização da categoria pelo reajuste do piso do magistério, mas que o cenário ainda demanda atenção do Executivo.
“A remuneração atual dos nossos professores é fruto da luta da categoria ao longo dos anos, que garante o reajuste do piso e revela uma evolução importante. Mas é preciso dizer que a valorização dos profissionais passa pelo seguinte tripé: salário, condições de trabalho e a carreira. Uma das nossas principais reivindicações hoje é o cumprimento da data-base para janeiro, como manda a lei, mas que atualmente ocorre somente em março“, pontua Salustiano.
Outro ponto levantado pelo sindicato diz respeito às condições prediais das escolas estaduais. Atualmente, os professores reivindicam a atualização de promoções de carreira em atraso e melhorias estruturais urgentes para garantir um ambiente adequado de aprendizado.
Em resposta aos apontamentos feitos pelo SINTE-RN, a secretária Socorro Batista afirmou que a pasta da Educação mantém diálogo ativo com a categoria e direciona esforços orçamentários para viabilizar que a data-base seja integralmente cumprida em conformidade com o prazo legal de janeiro.
No que tange à infraestrutura física e climatização das salas de aula das escolas estaduais, a secretária de Educação esclareceu que as reformas e serviços de adequação elétrica ocorrem de modo gradual devido ao tamanho da rede.
“Temos 587 escolas na rede, então, é impossível fazer a reforma de todas elas de uma só vez. Estamos atuando conforme nossas possibilidades. Há sete empresas contratadas para fazer manutenção hidráulica e elétrica, sendo esta última necessária para a climatização, que está sendo feita em todas as escolas. No ano passado, investimos ao todo R$ 208 milhões“, concluiu Socorro Batista.
O andamento dos repasses, cronogramas de obras e editais de promoção do magistério estadual continuam sob acompanhamento das comissões temáticas de negociação.
