Resumo da Notícia
A comemoração pela classificação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo foi acompanhada por uma tragédia familiar no interior do Rio Grande do Norte. Um cachorro de estimação morreu na tarde desta segunda-feira, 29 de junho, após sofrer um colapso fulminante provocado pelo pânico extremo decorrente do barulho de fogos de artifício.
O caso aconteceu na cidade de Pedro Velho no momento em que rojões foram acesos para celebrar o primeiro gol do Brasil contra a seleção do Japão.
A morte do animal gerou forte comoção nas redes sociais e rapidamente ultrapassou o luto da família, tornando-se o estopim para uma nova mobilização social e política no estado. O episódio reacendeu o debate sobre a urgência de fiscalização e cumprimento de restrições contra artefatos ruidosos, que rotineiramente registram picos de acidentes e óbitos de animais em períodos de grandes competições esportivas.
O relato do mal súbito e o apelo da tutora nas redes sociais
Em um vídeo publicado em seu perfil pessoal na internet, a tutora do cão, Larissa Almeida, relatou em detalhes o desenrolar do acidente doméstico. O animal de estimação estava protegido dentro de casa quando os primeiros estampidos de alta intensidade começaram a ecoar na vizinhança.
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Veja vídeo:
Assustado com o volume e a vibração dos estrondos, Nick correu em direção à tutora buscando refúgio. Segundos depois, o animal caiu no chão apresentando rigidez muscular e tremores característicos de uma convulsão. Devido ao pânico severo, o bicho chegou a urinar pela residência antes de desfalecer. Apesar das tentativas imediatas de reanimação cardiorrespiratória feitas pelos tutores na própria sala, o cão não resistiu e morreu antes de receber atendimento veterinário.
Emocionada, Larissa questionou a necessidade de manter tradições festivas que resultam em danos à fauna urbana. “Parem de soltar fogos. Parabéns, Brasil, rumo ao hexa, mas será que não percebem que esses fogos só causam sofrimento?”, desabafou a dona em sua postagem.
Repercussão política e o lançamento de campanha de proteção
A repercussão do caso de Pedro Velho mobilizou figuras públicas ligadas à defesa dos direitos dos animais no Rio Grande do Norte. O vereador Robson Carvalho utilizou canais oficiais de comunicação para manifestar repúdio ao ocorrido e utilizou o gancho do torneio mundial para iniciar uma ação de conscientização em massa direcionada à população potiguar.
O parlamentar classificou a conduta de utilizar artefatos barulhentos como uma extensão de maus-tratos. “Soltar fogos não é comemoração, é maus-tratos! Na Copa, lembre dos animais e não solte fogos barulhentos“, alertou Carvalho.
Em um desdobramento da iniciativa, o vereador convocou tutores a enviarem fotos de seus animais de estimação para criar uma rede de exibição de vulnerabilidade. “Ajude a dar voz a quem não consegue pedir! Envie a foto de quem não merece ser vítima do barulho dos fogos. Juntos, podemos conscientizar mais pessoas!“, publicou o parlamentar.
Além dos pets: o impacto amplo da poluição sonora por estampidos
A letalidade e o estresse desencadeados pelo uso de fogos de artifício encontram explicação na fisiologia veterinária. Profissionais do setor explicam que a capacidade auditiva dos cães é quadruplicada se comparada à dos seres humanos, o que transforma detonações de pólvora em uma experiência de dor física e desorientação espacial. O estresse agudo eleva os níveis de adrenalina, gerando taquicardia severa que pode evoluir para paradas cardíacas, além de fugas desesperadas que resultam em atropelamentos e automutilação.
Contudo, os danos da poluição sonora urbana causados por rojões ruidosos extrapolam a esfera dos animais domésticos e silvestres. Estudos de saúde pública apontam que o barulho de impacto causa sofrimento e desestabilização em outros grupos vulneráveis, incluindo:
- Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA): Indivíduos com hipersensibilidade auditiva crônica podem sofrer crises de pânico, automutilação e desorganização sensorial profunda;
- Idosos e enfermos: Pacientes internados em domicílio ou hospitais sofrem episódios de hipertensão súbita e estresse emocional;
- Bebês e crianças pequenas: Possuem canais auditivos sensíveis, sujeitos a sustos e traumas psicológicos decorrentes do barulho inesperado.
Atualmente, o ordenamento jurídico brasileiro delega aos municípios e estados a competência para legislar sobre o bem-estar e o sossego público. Diversas cidades do país já aprovaram e sancionaram leis que proíbem de maneira integral o manuseio, o armazenamento, o comércio e a soltura de fogos de artifício de estampido que produzam poluição sonora, permitindo exclusivamente os modelos de efeito visual (luminosos e sem barulho).
A tragédia que vitimou o cão Nick deve nortear os próximos passos de frentes parlamentares e ONGs do Rio Grande do Norte para cobrar maior rigor na fiscalização por parte das guardas municipais e órgãos ambientais durante o período das oitavas de final da Copa. As denúncias de descumprimento de normas de silêncio ou crimes associados a maus-tratos podem ser registradas formalmente por canais de segurança estaduais como o Disque Denúncia da Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
Dicas para o tutor
- Acomodação preventiva: Nos dias de jogos, mantenha cães e gatos em cômodos internos e isolados da casa. Feche cortinas e janelas para reduzir o impacto visual e sonoro.
- Abafamento acústico: Ligue aparelhos de televisão, rádio ou ventiladores no quarto onde o animal estiver abrigado para criar um som de fundo constante que mascare as explosões externas.
- Apoio físico: Não isole ou prenda os animais em correntes, pois o desespero pode causar enforcamento. Permita que eles se escondam debaixo de camas ou móveis caso se sintam mais protegidos.
