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Cidade do RN inclui ‘canetas emagrecedoras’ em programa gratuito contra obesidade

Pedra Grande selecionou 20 moradores na primeira etapa do Emagrece+, que prevê acompanhamento com equipe multidisciplinar e uso de análogos de GLP-1 em casos indicados.
Pedra Grande lança programa gratuito contra obesidade com ‘canetas emagrecedoras’
Pedra Grande lança programa gratuito contra obesidade com ‘canetas emagrecedoras’ - Crédito: Choi_ Nikolai / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • A Prefeitura de Pedra Grande lançou o programa Emagrece+, focado no tratamento da obesidade e doenças associadas.
  • A iniciativa oferece acompanhamento com equipe multidisciplinar, incluindo médicos, nutricionistas e psicólogos.
  • O programa utiliza medicamentos análogos de GLP-1 apenas em casos clínicos específicos, após rigorosa triagem.
  • A seleção dos 20 participantes iniciais baseou-se na gravidade de condições como diabetes e hipertensão.
  • O projeto é custeado integralmente com recursos próprios do município e não possui finalidade estética.

A Prefeitura de Pedra Grande, no litoral Norte do Rio Grande do Norte, iniciou um programa gratuito voltado ao tratamento da obesidade e de doenças associadas. Batizada de Emagrece+, a iniciativa selecionou 20 pessoas na primeira etapa e prevê acompanhamento com equipe multidisciplinar.

O ponto que mais chama atenção é a possibilidade de uso de medicamentos análogos de GLP-1, popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, em casos avaliados pela equipe de saúde. Segundo o município, o programa é custeado integralmente com recursos da própria prefeitura.

A proposta não é tratar emagrecimento como procedimento estético. A seleção dos participantes leva em conta fatores clínicos, como obesidade, diabetes, hipertensão e dislipidemia, condições frequentemente relacionadas ao excesso de peso e que exigem acompanhamento contínuo.

Como os participantes são selecionados

A nutricionista do município, Vanice Pontes, afirma que os inscritos passam por avaliação antes da definição dos participantes. A escolha é feita pela equipe a partir da gravidade de cada caso.

Todos os pacientes que fizeram a inscrição vão passar pela triagem comigo. Após essa triagem, toda a equipe se reúne e faz a seleção. Essa seleção é feita por gravidade do problema”, afirmou.

Ela também reforça que o foco do programa é de saúde pública, não de estética.

Não é um programa com finalidade estética”, completa.

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Essa diferença é central. O uso de medicamentos para perda de peso ganhou visibilidade nos últimos anos, mas, no caso do Emagrece+, a prefeitura apresenta a iniciativa como parte de uma estratégia de cuidado para pessoas com obesidade e doenças associadas, dentro da rede municipal de saúde.

O Emagrece+ foi lançado em maio deste ano e reúne profissionais de diferentes áreas. A equipe é formada por médicos, nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas e educadores físicos.

Na prática, o programa combina avaliação clínica, orientação alimentar, atividades físicas e acompanhamento psicológico. A presença de diferentes profissionais indica que o tratamento não se limita à prescrição de medicamentos.

Entre as ações desenvolvidas estão aulas de pilates e exercícios físicos realizados tanto na sede do município quanto na comunidade de Enxu Queimado. Os encontros também incluem palestras e orientações sobre doenças associadas à obesidade.

Na atividade mais recente, realizada na sexta-feira (19), os participantes receberam informações sobre hipertensão e diabetes, além de orientações sobre alimentação equilibrada e prática regular de exercícios.

Programa começa com 20 moradores

A primeira fase do Emagrece+ atende 20 pessoas, que já estão em acompanhamento. O número inicial mostra que o município optou por começar com um grupo reduzido, o que pode facilitar o monitoramento dos casos e a atuação integrada da equipe.

O programa se insere em um problema comum a municípios de diferentes portes: a obesidade não aparece sozinha. Ela costuma vir acompanhada de outras condições que aumentam a procura por atendimento, medicamentos, exames e acompanhamento permanente na rede pública.

Em Pedra Grande, a prefeitura afirma que o custeio é feito com recursos próprios. A continuidade do programa, porém, dependerá da capacidade do município de manter equipe, estrutura, acompanhamento regular e critérios claros para entrada de novos participantes.

Para quem vive com obesidade e doenças associadas, o principal efeito prático é o acesso a um acompanhamento organizado dentro do próprio município. Isso inclui triagem, definição de prioridade, atividades físicas orientadas, educação em saúde e, quando houver indicação, uso de medicamentos análogos de GLP-1.

A iniciativa também coloca Pedra Grande no debate sobre como municípios pequenos podem lidar com uma demanda que costuma ser tratada de forma fragmentada. O desafio é evitar que o programa seja visto apenas pelas “canetas emagrecedoras” e garantir que a parte mais importante — acompanhamento, mudança de rotina e controle de doenças associadas — não fique em segundo plano.